Exposição Pantanal Revelado - a Alma de um Território
Makala
- Date
- 2026
- Location
- Porto Jofre, Pantanal, Brasil

Ficha técnica
Makala ainda vive uma condição que pode estar próxima do fim. Ele e Pantaneiro, tio e sobrinho, passaram a compartilhar os dias com uma frequência que chama a atenção de quem conhece a região de perto. Barqueiros que acompanham o Pantanal, pesquisadores do Projeto de Identificação de Onças, Jaguar Identification Project, e outras pessoas com quem conversei acreditam que essa convivência dificilmente permanecerá por muito tempo. A maturidade se aproxima e, com ela, novas exigências de espaço.
A área de vida de um macho de onça-pintada pode ser extensa. Estudos realizados no Pantanal registraram médias de aproximadamente 152 km² na estação chuvosa e 171 km² na estação seca para machos monitorados. Trata-se de área de vida, não de uma medida fixa de território defendido, mas a dimensão ajuda a compreender o que pode acontecer quando dois machos amadurecem ocupando espaços próximos. Uma disputa territorial poderá ocorrer, e um deles poderá precisar partir em busca de uma nova área.
Essa possibilidade dá outra dimensão à convivência que presenciei. Durante os dias em que acompanhei os dois, Makala e Pantaneiro dividiam a caça, brincavam e descansavam juntos. Não havia excepcionalidade aparente na maneira como ocupavam o mesmo espaço. Para eles, aquela proximidade parecia fazer parte da rotina.
Para quem observa, entretanto, existe uma consciência incômoda de que a rotina pode ter prazo. A maturidade poderá impor uma separação que nenhum dos dois precisa compreender como nós compreendemos. A natureza não precisa justificar o que faz. Quando um macho precisar de espaço próprio, a convivência poderá terminar, provavelmente por meio de um confronto que obrigará um deles a partir.
No próximo ano, voltarei a Porto Jofre. Espero encontrar os dois juntos novamente, embora saiba que essa expectativa pertence a quem observa. A natureza é impiedosa com o que precisa acontecer. Não preserva uma relação porque nos comove, nem prolonga uma convivência porque gostaríamos de fotografá-la outra vez.
Por enquanto, Makala ainda está com Pantaneiro. E talvez seja justamente por sabermos que isso pode mudar que esta fotografia carrega tanta força.
Texto Curatorial
Makala ainda vive uma condição que pode estar próxima do fim. Ele e Pantaneiro, tio e sobrinho, passaram a compartilhar os dias com uma frequência que chama a atenção de quem conhece a região de perto. Barqueiros que acompanham o Pantanal, pesquisadores do Projeto de Identificação de Onças, Jaguar Identification Project, e outras pessoas com quem conversei acreditam que essa convivência dificilmente permanecerá por muito tempo. A maturidade se aproxima e, com ela, novas exigências de espaço.
A área de vida de um macho de onça-pintada pode ser extensa. Estudos realizados no Pantanal registraram médias de aproximadamente 152 km² na estação chuvosa e 171 km² na estação seca para machos monitorados. Trata-se de área de vida, não de uma medida fixa de território defendido, mas a dimensão ajuda a compreender o que pode acontecer quando dois machos amadurecem ocupando espaços próximos. Uma disputa territorial poderá ocorrer, e um deles poderá precisar partir em busca de uma nova área.
Essa possibilidade dá outra dimensão à convivência que presenciei. Durante os dias em que acompanhei os dois, Makala e Pantaneiro dividiam a caça, brincavam e descansavam juntos. Não havia excepcionalidade aparente na maneira como ocupavam o mesmo espaço. Para eles, aquela proximidade parecia fazer parte da rotina.
Para quem observa, entretanto, existe uma consciência incômoda de que a rotina pode ter prazo. A maturidade poderá impor uma separação que nenhum dos dois precisa compreender como nós compreendemos. A natureza não precisa justificar o que faz. Quando um macho precisar de espaço próprio, a convivência poderá terminar, provavelmente por meio de um confronto que obrigará um deles a partir.
No próximo ano, voltarei a Porto Jofre. Espero encontrar os dois juntos novamente, embora saiba que essa expectativa pertence a quem observa. A natureza é impiedosa com o que precisa acontecer. Não preserva uma relação porque nos comove, nem prolonga uma convivência porque gostaríamos de fotografá-la outra vez.
Por enquanto, Makala ainda está com Pantaneiro. E talvez seja justamente por sabermos que isso pode mudar que esta fotografia carrega tanta força.