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Exposição Pantanal Revelado - a Alma de um Território

Jaçanã, a ave feminista

Date
2026
Location
Porto Jofre, Pantanal, Brasil

Texto Curatorial

Sabe-se que, na natureza, com maior constância, os exemplares machos de uma mesma espécie são maiores e mais coloridos, características relacionadas à atração de suas parceiras. Na jaçanã, a configuração é outra. A fêmea é maior que o macho e assume posição dominante na organização territorial e reprodutiva.

A diferença não termina no tamanho. A jaçanã apresenta poliandria: uma fêmea pode manter relações com vários machos, enquanto eles assumem a incubação dos ovos e a maior parte dos cuidados com os filhotes. As fêmeas defendem territórios e disputam espaço e parceiros. O tamanho corporal das fêmeas está relacionado ao sucesso na competição territorial e na obtenção de parceiros.

O corpo da jaçanã parece feito para esse ambiente. Seus dedos extraordinariamente longos distribuem o peso sobre folhas da vegetação aquática, permitindo que caminhe sobre superfícies flutuantes. Território, alimentação e reprodução estão ligados às áreas de vegetação disponíveis.

No Pantanal, a jaçanã também é conhecida como cafezinho. Pequena diante da extensão das áreas alagadas que ocupa, ela estabelece seu território sobre uma superfície móvel e organiza sua reprodução segundo relações que deslocam aquilo que costumamos associar aos papéis de macho e fêmea.

“Feminista” é um conceito humano, portanto não descreve a ave na realidade. Funciona aqui como provocação diante de um dado biológico: na jaçanã, tamanho, competição, reprodução e cuidado parental se distribuem de maneira inversa àquilo que frequentemente projetamos sobre a natureza.

A fotografia fixa uma pequena presença sobre a vegetação; a investigação devolve a essa presença uma complexidade que seus poucos centímetros não deixam imaginar.

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