1 / 2

Patrimônio Prospectivo: A queda como método

A escola da queda

Date
2026
Location
Skatepark do Subúrbio, Salvador, Bahia

Texto Curatorial

Em Patrimônio Prospectivo, a queda foi deslocada do acontecimento físico para uma região mais vasta da experiência humana. Cair pertence ao corpo, mas também alcança aquilo que se transforma dentro de nós quando uma expectativa encontra o limite, quando uma tentativa não encontra sua forma e quando o desejo precisa sobreviver à própria interrupção.

Existe uma escola sem paredes, currículo ou diploma, na qual o conhecimento chega acompanhado de marcas. O corpo aprende a reconhecer o chão, a medir o medo, a suportar a frustração e a retornar ao movimento quando ainda não encontrou a maneira de realizá-lo. Cada repetição carrega alguma coisa da anterior. O erro permanece inscrito como uma espécie de inteligência adquirida, silenciosa e corporal.

Os arranhões pertencem à superfície dessa história. Mais profundamente, permanece aquilo que eles deixam na consciência. O fracasso perde sua condição definitiva quando a mente descobre que ainda pode tentar.

Talvez a prospecção comece nesse instante quase imperceptível, quando uma queda não encerra uma trajetória e devolve ao desejo a possibilidade de continuar. O futuro passa por esse acontecimento mínimo, no qual alguém se levanta sem conhecer o número de vezes que ainda precisará cair.

Há uma esperança particular nesse movimento. Não a esperança que promete vitória, mas aquela que permanece quando a vitória ainda não existe. A experiência transforma o chão em conhecimento e o retorno em possibilidade. A queda, então, deixa de ser apenas aquilo que interrompe o movimento e passa a participar daquilo que o torna novamente possível.

É nessa escola sem nome que o corpo aprende uma das formas mais difíceis de liberdade: continuar sem possuir nenhuma garantia sobre o próximo passo.

Imagens relacionadas

ENPTES
A escola da queda | Thiago Aquino | Thiago Aquino