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Tempo

De volta para o futuro

Texto Curatorial

Talvez voltar seja uma forma de continuar. Há momentos em que olhar para trás não nasce do desejo de repetir o que passou, mas da necessidade de compreender aquilo que nos trouxe até aqui. A memória pode ser uma referência para reconhecer caminhos percorridos, escolhas feitas e desvios que ainda participam das direções que tomamos.

Foi assim que esta locomotiva me levou de volta para o futuro. A referência ao filme está no título, mas também na imaginação de uma máquina capaz de atravessar o tempo. Aqui, ela permanece imóvel na Estação da Calçada. Já não transporta passageiros, mas ainda pode transportar uma lembrança, uma época, uma ideia de mundo que deixou de existir.

Tenho mais curiosidade pelo que já aconteceu do que pelo que ainda não conheço. Talvez porque o passado ofereça algo que o futuro não pode oferecer: experiência. Saber de onde viemos não determina onde chegaremos, mas modifica a maneira como escolhemos seguir. Cada estação depende das anteriores; cada entroncamento pode alterar a direção. Pessoas embarcam, permanecem por algumas estações ou deixam o trem antes do destino. Algumas histórias nos acompanham por décadas; outras pertencem a trechos breves da viagem.

O tempo também exige esse recalcular. Não para apagar o percurso, mas para compreender o que ele acrescentou à nossa capacidade de escolher. A locomotiva está parada, mas sua presença devolve movimento à memória. O ferro guarda uma história que já não pode ser repetida. Nós ainda podemos decidir qual trilho tomar.

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