Patrimônio Prospectivo: Gravidade
Jean-Claude Van Damme
- Date
- 2026
- Location
- Saktepark do Subúrbio, Salvador, Bahia
Texto Curatorial
O artista nunca é maior que sua obra, mas não há como dissociá-los completamente.
Não quis comparar Dora a Van Damme. Foi o escalar das pernas que me lembrou meu irmão, Gabriel. Quando chegou, tornou-se o queridinho da casa. Cantava e fazia uma cara de bichinho cativante. Logo veio o videocassete. Voltávamos da escola e ele ia direto aos filmes. Primeiro, Ninja Americano. Depois de Van Damme, a coisa escalou. Assistiu tantas vezes a O Grande Dragão Branco que já sabia os diálogos inteiros. Não gostava de almoçar: minha mãe insistia, e ele permanecia diante da televisão, repetindo as falas.
Foi com a manobra de Dora que novamente a cena final me alcançou: Van Damme, sem enxergar, diante de um adversário multicampeão e muito mais forte, desfere o golpe decisivo e sela a vitória.
O adversário de Dora é forte. A cada movimento, há um novo aprendizado; a cada treino, uma nova exigência; a cada escalada, uma altura a alcançar. Vencer não parece uma possibilidade. É uma decisão.
O adversário, porém, é ela mesma. Superar-se passa a ser a condição da própria vitória. É vencendo a si mesma que qualquer outro risco perde sua dimensão.
Enquanto construía esta fotografia, reassistia a uma parte da minha própria vida. Esta é uma homenagem a Gabriel e àquela repetição que permanece viva em minhas lembranças.
Este é o poder que permito à fotografia comandar em minha vida: estar sempre perto daquelas que amo.
